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Ser lembrado como alguém notável


"And I can tell just what you want
You don't want to be alone"

Pois é, nem eu.

Não quero que as pessoas lembrem-se de mim apenas como "o cara gente boa", eu quero que lembrem-se de mim também como alguém incrível. Alguém que sabe o que quer da vida e dá seu máximo para alcançar. Alguém que tem conhecimento, mas se mantém humilde e solidário. Alguém que seja extremamente bom em uma coisa e as pessoas falem "olha, ele é super bom nisso, fala com ele que ele pode te ajudar!" e realmente poder ajudar. Alguém que sabe demonstrar o que sente e consegue agradar qualquer um a sua volta apenas sendo eu mesmo. Alguém que seja interessante e que desperte sentimentos profundos em outro alguém, e que esse alguém saiba amá-lo.

E que eu ame de volta.

Alguém que não se sinta mais sozinho.

E com poucas esperanças.

Como é sentir-se verdadeiramente ansioso

Sabe, quando eu era pequeno, eu sempre fui ansioso. As pessoas sempre me falavam isso, e hoje identifico que, naquela época, não era nada preocupante, era normal.

No entanto, desde sempre fiquei ansioso por uma questão muito simples: sempre sofri por antecedência e, ao longo da vida, conforme os anos passam e as responsabilidades da vida adulta aumentam, você percebe que quanto mais antecipa o sofrimento pensando nas várias hipóteses de que o que vai acontecer pode dar errado, ou que pode ser difícil, mais ansioso e mais retraído você fica por ter que viver o que virá a seguir. Terá que viver o desconhecido.

O que um grande amigo sempre me diz, não posso deixar de concordar, é que não dá pra saber o que vai acontecer.

Aquela entrevista de emprego: pode sim dar certo, mas também pode não dar em nada. Assim como aquele encontro que você marcou pode ser desastroso, mas também pode ser muito legal. E tantas outras variáveis que posso ficar substituindo sempre vão levar a uma conclusão: não dá pra saber.

Ao mesmo tempo que isso me acalma em alguns contextos, em outros só aumenta meu desespero exatamente por não saber o que há por vir. E às vezes eu sinto que não consigo lidar com isso.

Então o quadro de ansiedade começa.


Como é?

Terrível.

Qualquer pessoa sente ansiedade ao longo da vida por diversas razões. É normal, porque seu corpo está emitindo sinais de que você está prestes a passar por alguma situação de ameaça. É um sistema bioquímico agindo em você.

Até que em determinado momento da minha vida, aliado a baixas emocionais, a ansiedade passou a se dar de forma disfuncional, sendo mais acentuada e durando mais tempo. Quando situações comuns passaram a ter mais peso, meu corpo começou a sentir os efeitos da verdadeira ansiedade.


Não vou me esquecer do primeiro dia em que passei por uma crise. A falta de ar, o desespero, a garganta se fechando, a força para respirar, os pulmões não dando conta, o corpo gelado, o suor frio, as mãos formigando, o coração acelerado, o medo de que não vai passar, o choro descontrolado, a sensação de que tudo só piora, de que não vai aguentar, o medo de desmaiar, medo de morrer. Tudo de uma vez.

Em outro dia próximo, por volta das 18 horas, eu precisava dirigir para buscar minha mãe no trabalho. Assim que entrei no carro, tudo voltou de uma vez. A única coisa que consegui fazer foi atravessar um quarteirão, ligar para ela, avisar que não conseguiria buscá-la, e voltar para casa, chorando desesperadamente e morrendo de medo.

A partir desse dia, minha vida ganhou esse add-on: "eventuais crises de ansiedade".

Cada momento de ansiedade durante o dia ainda causa preocupações em relação a como está a respiração no momento, e, por consequência, a breves momentos de falta de ar diários.

Sempre, só de perceber como está a respiração no momento, a ansiedade vem, e todo o sistema respiratório parece se contrair para dificultar a passagem de ar. E quanto mais isso fica na minha cabeça, mais nervoso e ansioso fico, podendo até iniciar uma crise, como já aconteceu.



O tratamento

O médico passou a me acompanhar, já há quase um ano, e mantém um tratamento por meio de ansiolítico. Ao mesmo tempo, o auxílio profissional de uma psicóloga tem me ajudado em muitos pontos da minha vida.

Durante todos esses meses, aprendi a identificar, a cada vez que ocorre, qual foi o antecedente, ou seja, lembrar o que estava acontecendo, como eu me sentia; como eu fiquei durante o momento da crise, e no que eu pensava; e qual foi o pós, quando as coisas se acalmaram.

Daqui pra frente...

Bem, possivelmente vou conviver com isso para sempre. Ou não. O que eu mais quero na vida é apenas voltar a ser uma pessoa normal, e atualmente a medicação tem ajudado bem no controle dos sintomas, mas ainda assim, raramente ainda tenho crises fortes como antes. Graças a Deus elas não acontecem com a mesma frequência de antes!, senão não aguentaria, mas ainda estão me rondando...

O uso do remédio é contínuo, e sei que estou dependente cem porcento. Diria que é o preço a se pagar em troca de conseguir passar bem o dia seguinte.

Em paralelo ao medicamento e à psicóloga, tenho familiares e amigos próximos que me dão suporte e me ajudam nos dias difíceis. É a isso que sou mais grato.



Passar por uma crise de ansiedade, ou mesmo por outros problemas psicológicos como depressão, síndrome do pânico e tudo mais não é motivo de orgulho. Não é pra ser romantizado como posts bem humorados fazem no Facebook, por exemplo.

Não é porque você decide uma coisa e segundos depois mudou de opinião que você é bipolar, entende? Assim como não é porque você está alguns dias tristes pelo término do seu relacionamento que você tem depressão. E as pessoas costumam se identificar muito com esse tipo de pensamento e acabam até gostando de tomar para si termos de problemas reais, como se fossem banais.

Não são, ok? Apenas parem de ser idiotas. E se você realmente tem um problema, procure ajuda, não há nada demais nisso. Apenas você pode cuidar da sua vida, dos seus pensamentos, e eles precisam ser de qualidade, e para isso existem psicólogos dispostos a nos ajudar a lidar com problemas que nós mesmos não conseguimos lidar.

Pensei em escrever esse meu relato sobre ansiedade por ler tantos comentários de pessoas que também passam por situações parecidas. Talvez os sintomas não sejam os mesmos, gostaria de saber nos comentários, ou sejam mais brandos ou mais fortes, mas, no fundo, estamos todos tentando apenas seguir uma vida boa apesar das dificuldades.

As metas não cumpridas deste ano

Estive pensando sobre o que acontece quando um ano acaba: alguns têm sentimentos de dever cumprido, outros de desastre total, e ainda há aqueles que não se importam, foi só mais um ano. E eu meio que me enquadro nesse último. Mas não por acaso ou mero desdém.

Chega Janeiro, começa um novo ciclo, juntamente com as "metas de ano novo": prometo fazer mais exercícios; prometo comer menos porcarias; prometo emagrecer 30 quilos até o Natal; prometo estudar mais; prometo ler mais; prometo me focar mais no trabalho; prometo mundos e fundos.

E tudo o que você não fez direito durante toda sua vida será hermeticamente funcional dentro dos próximos 365 dias do ano que se inicia. Parabéns.


É disso que estou falando. Tirando as comemorações festivas dessa época, que realmente não podem ser puladas (e não precisam ser ignoradas -vá se divertir!), esse "ciclo" que está terminando, no fundo, não é nada além da troca de um bloco de folhas com números reorganizados em tabelas que será preso na parede da sua cozinha: um calendário.

Se você estabeleceu metas para este ano e não conseguiu cumprir, porque você vai passar Dezembro se lamentando? Você realmente não conseguiu? Não deu nem um único passo durante todos os 365 dias para alcançar seu objetivo? Sequer tentou? Ou você chegou a começar, mas parou? Ou você viu outras oportunidades no meio do caminho? Ou houveram problemas que te atrapalharam? Ou você desistiu porque não havia mais tempo? Porque não compensaria mais o esforço? Porque o ano já está acabando?

Por que 31 de Dezembro tem que ser a sua data limite?


Não é o fim. Toda essa quantidade de dias que passaram não significam nada além de números. Se você pretende seguir um objetivo, não são TREZENTOS E SESSENTA E CINCO DIAS que vão te limitar a alcançá-lo. Leve 30, leve 90, leve 200, leve 500 dias. Que diferença vai fazer? Desde que você esteja se movendo para realizá-lo, é isso que importa, demore o tempo que for necessário. Afinal, como diz uma amiga psicóloga, "para quem não está fazendo nada, um pouquinho que fizer, já será alguma coisa" de diferente na sua vida.

E assim penso sobre ciclos: eles realmente não me importam mais. ☺


Texto para referência: link.
Esperava uma conclusão neste texto do Flávio Gikovate, mas não encontrei, e fui oposto a algumas de suas ideias. Assim nasceu esse post.

Pertencimento

Você sabe do que estou falando. Eu sei que sabe. Aquele sentimento de fazer parte de algo, de corpo e alma. De uma amizade, de um amor, de um trabalho, até mesmo de uma família.

E o primeiro não está nesta posição por acaso, mas por ser um dos que mais retratam o pertencer a um grupo e ser aceito. Aliás, é tentando se enquadrar nisso que passamos os penosos anos da adolescência, não é mesmo? Quero te dar um choque de realidade dizendo que essa busca pode não terminar com o passar dos anos, e as amizades que você se esforçou tanto para cultivar durante a escola vão se desfazer como num piscar de olhos. Elas vão. E não voltarão a ser mais como eram, sendo apenas dolorosos "precisamos marcar algo". Sim, precisamos.

E... fim, se você ainda não percebeu.

Aquele cachorro-quente nunca vai acontecer. Aquele rodízio de pizza espantosamente esporádico foi só um desencargo de consciência. Apenas aceite que nada voltará a ser como antes.

Como a busca nunca termina, aos poucos, talvez até sem perceber, vai ver que as mais improváveis pessoas que passará a conhecer tornar-se-ão seus melhores amigos, sobretudo os da faculdade. E os da vida. Diferentes, mas que, dessa vez, vocês realmente têm interesses em comum. Assim é que as amizades realmente duram, e firmam raízes na sua vida, que a tanto tempo esperou por que fosse real. Um dia poderá mesmo ser.

Sextas-feiras a noite, manhãs de trabalho, tardes de domingo passam a ser mais suportáveis quando podem ser compartilhadas e acompanhadas de risadas. Fazem o viver ser menos pesado, pois também assistem-no quando a queda machuca, e lembram-te de que há sim solução para os problemas e ajudam-no, às vezes, sem nem precisar pedir.

É este o pertencimento de que falei.


O que espero é que seja
real.

Conectado, mas sozinho?

Estamos conectados.
Estamos longe, mas estamos perto.
Estamos próximos.
Próximos de quem está longe.
E próximos dos que estão perto?